21 de outubro de 2014 | 03:18h | Bom dia     


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Os desafios da inclusão das práticas integrativas nos NASFs da Chapada dos Guimarães

Aqui em Chapada dispomos de 7 ESFs (3 na zona urbana e 4 na zona rural). Em sua maioria, constituídas por profissionais jovens e todos concursados. Dispomos também de um Centro de Especialidades, Laboratório e um pequeno hospital com SAMU. Nosso serviço de acupuntura iniciou em 2005 em anexo ambulatorial do hospital e atendia fundamentalmente como referência para as "algias" da vida .

A partir de 2008/2009, com a consolidação da implantação das ESFs e a inclusão de novas especialidades na rede (principalmente a Psiquiatria, Psicologia e Fisioterapia), demos início a um processo de referência mais bem articulado entre as ESFs e essas especialidades com vias à implantação do NASF. Por razões de ordem financeira, optou-se inicialmente pela estruturação de um Centro de Especialidades tendo em vista que o financiamento dessa modalidade pelo MS e pela Secretaria Estadual de Saúde MT era de maior rentabilidade, considerando os recursos disponíveis para o financiamento do NASF.

Atualmente reformulamos a proposta para a implantação do NASF ainda com vias ao financiamento até mesmo para solidificar a proposta orientada pela atenção básica. Essa proposta está em vias de aprovação pelas instâncias superiores. De qualquer forma, nos últimos cinco anos trabalhamos como referência para as ESFs. Nosso núcleo está mais articulado com as especialidades de Psiquiatria, Psicologia, Fisioterapia, Nutricionista e Acupuntura (2 acupunturistas: 1 enfermeiro e outro fisioterapeuta), pois têm sido, a meu ver, as especialidades que mais se agregam em razão da clientela e o tempo do acompanhamento/tratamento requerido e também pelo perfil dos profissionais mais alinhados e compromissados com uma prática mais integral à saúde.

Dispomos de outras especialidades médicas, fundamentalmente de ginecologia, obstetrícia, cardiologia, oftalmologia, pediatria, urologia, ortopedia e pequenas cirurgias, e a interface destas com o núcleo ainda muito formal e ainda pouca abertura para uma discussão integradora. Contudo, observo que essa relação tem melhorado considerando o volume dos encaminhamentos para o núcleo por parte das ESFs e das demais especialidades, além da contrarreferência bem qualificada dos usuários encaminhados ao núcleo.

Nos últimos três anos, com apoio da gestão municipal, o fortalecimento (concurso público e pccs) das ESFs e a tendência de fixação dos profissionais, principalmente médicos e enfermeiros, têm permitido uma qualificação melhor da demanda principalmente para o núcleo, já que os casos encaminhados são aí debatidos e orientados para as condutas devidas. Hoje atendemos integradamente os casos relacionados às desarmonias emocionais, de comportamento, drogadição e estados depressivos.

Iniciamos este ano outra abordagem da MTC no acompanhamento de acamados residenciais juntamente com a fisioterapia, além de atividades com grupos de hipertensos e diabéticos, harmonização energética para idosos e acompanhamento e conduta para gestantes com hiperemese gravídica. Iniciamos também, após a vinda do Dr. Alberto Peribanez Gonzales (autor de "Lugar de médico é na cozinha") uma oficina para atuação das ESFs frente ao dilema da alimentação, que tem ajudado muito nas condutas dos Agentes Comunitários de Saúde nas orientações principalmente aos hipertensos e diabéticos (introdução do suco verde). Esse conjunto de ações tem aproximado e permitido um maior entendimento das ESFs e as potencialidades da acupuntura como referência para seus usuários. Muito embora a tendência clinica-medicamentosa tenha sido fortemente presente, nota-se uma tendência numa abordagem que utilize as potencialidades atuais e disponíveis nos serviços que não só medicamentos.

Há também uma conjuntura, a meu ver na vertente epidemiológica das doenças ocupacionais e da modernidade que parece conduzir a orientação dos serviços para uma linha de conduta mais integralizadora. Por exemplo, a Fibromialgia tem sido diagnosticada com bastante frequência na atenção básica pelas ESFs e as condutas com pouco ou nenhum resultado na melhoria da vida das pessoas quando tratadas de forma isolada. Aqui estamos concretamente reformulando essas condutas de forma mais integrada e integralizadora, da mesma forma para os problemas de drogadição.

Mas temos também muitas dificuldades:

a) O desconhecimento do que sejam as PICS para os profissionais das ESFs e da rede, gestores e usuários é fator determinante para a melhoria e a consolidação das PICS.

b) Embora constituída de tecnologia leve, os problemas relativos à infraestrutura é ainda um problema a ser superado. Nossas unidades de saúde a organização espacial ainda são muito antigas e dificultam um acolhimento mais adequado ao usuário. Nosso ambulatório de acupuntura precisa ser ampliado e modernizado. Estamos atendendo em torno de 450 pessoas ao mês e com uma demanda reprimida no mesmo tamanho. Estive na China, durante os meses de maio a agosto deste ano, no hospital de Mianyang, em um estágio onde pude observar a distância dos caminhos que temos que trilhar no que diz respeito à organização e potencialização dos serviços . Estamos carentes da incorporação de outras práticas, Fitoterapia, Tuiná, Tai-chi-chuan, Lian Gong, Homeopatia. Muitos profissionais da rede interessados, mas com pouca ou nenhuma oferta de atualização e/ou formação através (e no) do próprio sistema de saúde.

c) A falta de uma política de financiamento e a proposta dos NASFs está muito aquém da realidade dos serviços.

d) Há também a dificuldade na elaboração dos protocolos de atenção, principalmente no que diz respeito às condutas de abordagem multiprofissional, mas penso que não será de difícil superação. Estamos discutindo a questão das PICs às sextas-feiras na reunião com as ESFs, e isso tem ajudado muito na divulgação e organização dos serviços. De qualquer forma, na atualidade, estamos limitados pelo tempo, pelo espaço e pelos recursos disponíveis para as práticas. Há uma evidente necessidade de reformulação e ampliação para atender a demanda já existente e também para pensar o novo.

Amaury Ângelo Gonzaga, enfermeiro acupunturista - NASF Chapada dos Guimarães



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