18 de maio de 2012 | 15:30h | Boa tarde     


HOME - TEMA ESPECIAL


Não me canso de contar, para meus amigos e familiares, que o país onde vivo se destaca por ser um lugar onde a “busca por segurança” mostra os seus sinais na primeira segunda-feira de todos os meses, quando tocam uma sirene ao meio-dia.

A finalidade da sirene mensal é educar os sentidos dos cidadãos, para que se habituem ao som. Caso ela seja acionada, em qualquer outro dia, significa o alerta de uma catástrofe, acidente, incêndio ou inundação. Há risco para a vida da comunidade.

Neste "pacote" de segurança o governo aconselha que todos tenham estocado em casa: garrafas de água e alimento (para dois dias), um rádio de pilhas, pilhas e velas. Caso a sirene toque, fora da data programada, os cidadãos devem permanecer em casa e ligar TV, ou rádio, para receber instruções das autoridades de segurança.

Em 1953 uma inundação devastou a Holanda, uma elevação da maré, em 5 a 6 metros, arrasou as defesas da costa e causou uma catástrofe sem precedentes, foram computadas 1.853 mortes. A Holanda é um país que está abaixo do nível do mar e que depende fortemente de suas defesas marítimas.

Esta devastação marcou a mente dos habitantes e levou ao desenvolvimento de um dos maiores e mais modernos sistemas de proteção da costa - o projeto delta.

O mundo hoje vive conflitos que decorrem de dificuldades das sociedades com seus complexos poderes políticos e econômicos, demandas por mais abertura, mais liberdade, mais democracia e mais garantias para o exercício de suas escolhas.

Quando a nossa existência ou as liberdades são postas em risco, nossas mentes acionam as sirenes que alertam dos perigos que estão por vir.

Neste momento, na Europa, está em curso uma proposta que visa “retirar da legalidade” as garantias de acesso a ervas medicinais, vitaminas e suplementos naturais. Em breve isto pode se tornar realidade, provavelmente no final deste mês de abril. Nesta data centenas de produtos, derivados de ervas, serão criminalizadas em toda a União Europeia.

Este processo teve início com uma nova lei, uma diretriz orientadora para toda União Europeia, aprovada em 2004 e chamada: “Diretiva dos Produtos Medicinais e Ervas Tradicionais (THMPD), 2004/24/EC”.

Esta medida servirá de base legal para que se construam barreiras à oferta de produtos,; "critérios de segurança desproporcionais aos riscos reais" restringirão o acesso dos usuários aos “remédios de ervas”.

A partir de abril as exigências para o “licenciamento” de produtos servirão de impedimento para a comercialização e, consequentemente, para as garantias de acesso e ao direito de escolha dos atuais usuários.

Requisitos para licenciamento de produtos, formulados de forma restritiva, ainda que adequada para os remédios químicos, representarão uma barreira para a produção e comercialização dos produtos com base em ervas. Para licenciar uma única erva medicinal dentro da UE, serão exigidos valores entre 125.000 a 180.000 dólares.

Ervas não podem ser patenteadas! Ninguém pode se declarar proprietário e auferir os lucros de sua comercialização. São patrimônio da humanidade, da história do planeta. Quem irá investir para licenciá-la sem expectativa de retorno?

Frente a esta iminente catástrofe, a provável devastação nas “práticas de cuidados naturais”, soou o alarme, a proposta de mobilizar a população, usuários e simpatizantes, para que se manifestem contra a implantação desta nova diretriz. Hoje, varias petições correm o mundo, a humanidade precisa expressar sua repulsa.

Há esperança de que esta sirene soante sirva para fortalecer a sociedade, para colaborar na organização das forças que defendem garantias para os direitos individuais, que reagem contra medidas que pretendem restringir a liberdade de escolha.

O Brasil está envolvido neste movimento, tanto na campanha internacional para colher assinaturas contra esta diretriz da Comunidade Europeia quanto, no plano nacional, ao promover a defesa da liberdade de escolha para os usuários dos serviços públicos de saúde.

A Ação Pelo Semelhante se destaca neste movimento, tanto pelo apoio à luta européia quanto pela liderança no âmbito nacional, agora articulando a participação da diversidade das medicinas naturais.

O sucesso do movimento brasileiro representa uma grande conquista, mais uma frente de articulação da sociedade, uma resistência para defender os interesses da sociedade contra diretrizes como esta que o parlamento europeu tenta tornar realidade para exportá-la para todo o mundo.

Faça parte da petição europeia. Participe e mostre que você não concorda com esta resolução. Acione a sua sirene. Assine e divulgue.

As sirenes são parte da educação dos nossos sentidos, de nossas ações em defesa de nossos direitos. Precisamos mantê-las como antenas, sempre ligadas e prontas para serem acionadas quando percebermos ameaças à nossa integridade ou a integridade de nossa democracia.

A sirene da Europa está tocando e nos avisa que precisamos adotar uma atitude global. É vital frear este ato que atenta contra as liberdades e que compromete a sobrevivência das Medicinas Tradicionais na Europa e, consequentemente, evitar que se expanda para outros locais do planeta.

Acione a sua sirene que ilumina o caminho da conscientização, da consciência de unidade para evitar que os Direitos Humanos sejam devorados pela globalização econômica.

http://www.defensemedecinenaturelle.eu/signerlapetition.php


Miriam Sommer, Medica Homeopata e Epidemiologista Clínica, brasileira, que vive e trabalha na Holanda há 11 anos

www.miriamsommer.nl


indique aos amigos
compartilhe



COMENTÁRIOS (9)

HYLTON SARCINELLI LUZ às 22:21h do dia 5/5/2011
Prezada Miriam, é uma enorme satisfação contar com a sua colaboração, uma brasileira que vive na Holanda, com os olhos no mundo, mas sem perder de vista o Brasil e o movimento que aqui se realiza para garantir aos usuários do SUS o direito de escolha terapêutica, o acesso à Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia. Parece-me que estamos alguns passos adiante da Europa, pelo fato destas práticas serem reconhecidas como especialidades médicas e pela iniciativa do governo brasileiro de propor da Política Nacional de Práticas Integrativas. Penso que nossa carência de recursos e investimentos na saúde favoreceu a construção deste passo importante que demos. Nosso problema é que aqui o papel aceita tudo, mas a aplicação é lenta. Neste ponto estamos em desvantagem, mais ainda no tópico da cidadania participativa. Obrigado pela sua colaboração.


LILIANA BATISTA às 17:00h do dia 29/4/2011
Boa Tarde Dra. Míriam
Sou psicóloga, Terapeuta Floral, Iridóloga Comportamental e reikiana. Sou totalmente contra a postura dessas medidas.
Acredito na nossa natureza e dos benefícios que podemos usufruir da mesma. Tudo isso está acontecendo justamente do medo do profissional porque sabe que o resultado é extremamente positivo e que pode ser um complemento junto com a medicina convencional.
Dou todo meu apoio a tua luta.
Abraços,
Liliana.


MARIA DO CARMO BARBOZA LIMA DE FARIA CORREA às 20:42h do dia 26/4/2011
Sou advogada, professora de holos yoga, massoterapeuta e estudante de homeopatia pela Universidade Federal de Viçosa-MG e desde 2004 quando lançei em Porto Alegre o livro "Direito à Saúde no Brasil - soluções alternativas, complementares e substitutivas" e sei da dificuldade em convencer o povo e os médicos ortodoxos de que o paciente tem direito de escolher seu tratamento fora da medicina convencional e congratulo-me com tua iniciativa e quero juntar-me a ela.


MARIA TEODOLINA FONTES VIANNA/TERAPEUTA HOMEOPÁTICA às 22:48h do dia 22/4/2011
PREZADA DRA MÍRIAM

achamos um absurdo, principalmente nós brasileiros, que temos conhecimento de que as hervas não apenas curam, são capzes e fazer milagres.
imagine em regiões remotas, o que seria dos nativos se não fossem as hervas?
vamos pedir a eles (EUROPEUS)para procurarem algo mais interessante e proveitoso, realmente, para as pessoas (e tambem animais)


LUIZ ENRIQUE MARTINS PEREIRA às 00:11h do dia 22/4/2011
Na unidade com Micael coerente acedidíssimo na fonte é não permitirá.....


PAULO ROSENBAUM às 22:26h do dia 20/4/2011
Miriam, seu empenho e sua luta são louváveis, assim como o engajamento, em causas análogas, da "Äção pelo semelhante". Minha duvida, e mais que isso, meu ceticismo em relação aos movimentos sociais que tentam resistir a essa marcha maquinal e estúpida de governantes e cientificistas de todo tipo -- inclusive os que entre nós se vestem de robe de chambre -- se deve ao meu inconforrepúdio em relação a nossa enorme e tardia ingenuidade. Nós temos que nos preocupar em conseguir financiamento e dinheiro para buscar reposicionar o debate. Sem ele, a menos que o capitalismo entre em colapso imediatamente -- não parece ser o caso, sinceramente -- vamos repetir ciclos históricos indefinidamente e estaremos sempre na posição de outsiders, ramblers e parasitas da ciência. Nesse caso, os diques já estouraram e só um milagre ou fluxo de caixa violento -- venha de onde vier -- , salvará as medicinas integrativas no curto prazo. Rezo por um dos dois. Ou os dois.


DANIEL às 14:27h do dia 20/4/2011
Prezada Dra. Miriam,

Se esta Diretiva foi aprovada em 2004, por que só agora, a menos de 15 dias de expirar o prazo, ocorre este "movimento"? O que aconteceu nos últimos sete anos?
Quais são as exigências que devem ser cumpridas pelas fabricantes? Quais são as dificuldades? A Sra. poderia fazer uma comparação com a regulamentação brasileira para estes mesmos produtos?
Precisamos defender as práticas naturais e, sobre tudo, o direito de escolha sobre a forma de manter a saúde e tratar as doenças, mas de forma bem informada.

Grato,

Daniel




HENRIQUE MARQUEZ às 13:35h do dia 20/4/2011
Prezada Dra. Miriam,
Precisamos nos unirmos para evitar o retrocesso na evolução. Necessitamos caminha para frente e para o alto, não para baixo. Impedir o uso das plantas medicinais é anti-democrático. Precisamos lutar como Gandhi, por uma liberdade universal, democrática, sem violência.
Fraternalmente,
Henrique Marquez


MÁRCIA PURNIMA às 11:26h do dia 20/4/2011
PHHHHEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!









HOME - TEMA ESPECIAL

Esta obra é licenciada sob uma licença Rio de Janeiro 2009