Manifestação de céticos ingleses acirra o debate. Conheça a opinião do Portal Ecomedicina.
*HYLTON SARCINELLI LUZ
Definição de Ceticismo segundo o Dicionário Caldas Aulete: Ceticismo, cepticismo: (ce.ti.cis.mo, cep.ti.cis.mo)
sm.
1 Fil. Atitude de dúvida sistemática, ou tendência a duvidar; não aceitação de pretensas certezas ou verdades absolutas.
2 P.ext. Incredulidade, descrença, falta de confiança ou de convicção: Mostrou ceticismo em relação a tudo.
3 Fil. Doutrina filosófica segundo a qual é impossível a consciência adquirir certeza sobre a verdade em geral ou sobre algum conhecimento específico.
4 Método ou procedimento filosófico dos adeptos do ceticismo (3), esp. a suspensão do julgamento (como no ceticismo da antiguidade grega) e a crítica ao conhecimento metafísico, dogmático ou religioso (como no ceticismo moderno).
[F.: cé(p)tic(o) + -ismo.]
A mídia nacional e internacional está noticiando com destaque a ação marketeira dos céticos ingleses contra a venda de medicamentos homeopáticos ao público. É difícil ficar impassível a este tema. Provocado pelo O Globo, que me procurou para comentar, tomo a liberdade de fazer algumas reflexões.
A atitude dos céticos ingleses é muito cabível, esperada e absolutamente compreensível, dado que se trata de uma seita, ou reunião de indivíduos, que professam a doutrina filosófica segundo a qual é impossível a consciência adquirir certeza sobre a verdade em geral, ou sobre algum conhecimento específico. São indivíduos que adotam a dúvida sistemática, o comportamento de não aceitar nenhuma certeza.
Estes céticos são os mesmos que negam o aquecimento do planeta e afirmam que todos os fatos que presenciamos fazem parte do campo da normalidade, que não existe absolutamente nada de errado com a conduta humana consumista e devastadora dos recursos naturais.
Tal como agora, também se manifestaram quando o homem pisou na lua. Produziram centenas de documentos para demonstrar que tudo não passava de empulhação da mídia para acentuar a vantagem americana sobre a ciência soviética.
A existência de céticos não é novidade, são tão antigos quanto outras correntes filosóficas. Sempre existiram e existirão, têm um papel na sociedade e no desenvolvimento do pensamento humano. Desconstruir e negar todo o tipo de afirmativa e verdade, sem exclusividade, ou radicação a um tema específico.
O interessante nos casos atuais, aquecimento planetário e Homeopatia, é pensar as motivações que levam seus argumentos às mídias, que financiam a caríssima publicidade de suas posições exóticas. Frente a tantas “verdades e certezas” contemporâneas, onde não há falta de controvérsias, porque exatamente estas são alvo de manifestações públicas de desacreditação. Será por envolverem questões da sustentabilidade e da ecologia?
No que tange a explicações científicas sobre o efeito da Homeopatia sobre os seres vivos, sejam enfermos, ou sãos, há muito mais a se investigar do que conhecimentos firmados. Consequência natural e previsível da ausência de investimentos em pesquisa.
O que podemos dizer como seguro e factual é que seguindo os três princípios da Homeopatia: escolha do medicamento pelo critério da semelhança entre os sintomas do caso e os sintomas que a substância produz sobre a saúde; utilização de doses mínimas o suficiente para estimular a vitalidade do indivíduo; e método de investigar as propriedades ativas das substâncias por meio da administração a indivíduos saudáveis. Há 214 anos, um número importante de cidadãos curam suas enfermidades, ficam satisfeitos e recuperam a saúde.
Elucidar esta questão não é papel para médicos. A missão do médico é conhecer e dominar os meios de cura, os instrumentos que transformam o estado de enfermidade em reação e recuperação da saúde.
O que nós médicos homeopatas sabemos é selecionar os casos em que os efeitos dos remédios aplicados serão positivos. Desenvolvemos métodos para escolher com precisão a substância que deve ser indicada a cada caso particular, de modo que o organismo do paciente modifique o curso de adoecimento em direção à saúde.
Para realizar esta tarefa de curar o paciente, o médico tem o dever de se dedicar à investigação de todos os elementos que indicam as alterações da saúde, os aspectos que revelam os detalhes daquilo que está desorganizado no indivíduo. Esta atenção ao caso é o meio pelo qual orientará suas condutas e avaliará as perspectivas e o processo de recuperação.
No entanto, atenção às queixas e à vida do paciente não são suficientes para gerar resultados, é determinante que o médico homeopata conheça, com precisão, as capacidades curativas dos elementos que emprega. É nesta relação, entre as alterações da saúde do paciente e as ações da substância, que encontrará o sinergismo para transformar enfermidade em recuperação.
Não é papel do médico especular sobre quais são os meandros internos que o medicamento percorre e aquilo que ele realiza no interior do organismo. Este papel cabe aos pesquisadores, são os cientistas que devem se sentir desafiados frente a esta ignorância humana. Do médico o paciente espera a cura e dos cientistas a sociedade espera a resposta sobre o que fazem os remédios homeopáticos curarem.
Apoio incontinente o protesto dos céticos quanto à falta de respostas suficientes para esclarecer este fato que já monta há mais de 200 anos, envergonhando a classe dos cientistas e pesquisadores, os institutos de ciência avançada, incapazes de desvendar o processo interno de permite que uma substância seja medicamentosa, que medie o processo de transformação da enfermidade em cura, sem que contenha moléculas ou partículas mensuráveis da substância original.
No entanto, o que não podemos aceitar pacificamente é que algum grupo se arvore o direito de determinar aquilo que é melhor para o outro, que algum grupo se autorize a negar o direito de escolha individual de qualquer indivíduo, apenas e tão-somente porque não acredita naquilo que o outro decidiu para si mesmo.
Manter uma postura leniente com esta forma de invasão dos direitos individuais é aceitar que se discriminem os demais por suas opções sexuais, religiosas, políticas, esportivas etc. O protesto contra escolhas individuais e sobre as garantias que o estado democrático tem o dever de exercer é estimular o segregacionismo, a discriminação de toda ordem, é retornar a eras que antecedem à Declaração Universal de Direitos Humanos.
Que os céticos não adotem a Homeopatia e a rejeitem, nada podemos fazer ou comentar, uma vez que são sujeitos individuais exercendo as suas prerrogativas de escolher aquilo que é o melhor para si.
No entanto, quando passam da escolha individual para a manifestação contra a escolha alheia, lutando para cerceá-la, lutando para que o Estado as limite, ou deixe de exercer o que é o seu dever, trata-se de suscitar a discriminação e o desrespeito ao direito alheio.
Está claro que estes céticos, que hoje portam os amplificadores das mídias, não querem agredir a Homeopatia, mas servirem à opressão, ao obscurantismo, à negação da democracia e da igualdade de direitos entre os humanos.
A Homeopatia é uma prática de saúde que se sustenta por si mesma, que não é movida, ou fomentada por publicidade, que não recebe investimentos para pesquisa e para desenvolver-se, mas permanece viva há 214 anos, apenas e exclusivamente, porque faz bem a saúde. Não fosse por este aspecto não haveria tantos usuários e apreciadores.
Isso não quer dizer que a Homeopatia seja capaz de resolver todos os casos e que sozinha possa dar conta de todos os problemas de saúde da Humanidade. Trata-se apenas de uma das modalidades terapêuticas que e Medicina contemporânea dispõe. Que seja mais bem estudada para que se destine apenas aos casos em que tem sucesso, e aos outros se aplique aquilo que é o mais adequado.
Pelo respeito à diversidade, pela igualdade de direitos, pelo desenvolvimento de mecanismo de promoção de equidade.
*Hylton Sarcinelli Luz é médico especialista em Homeopatia, Presidente da Ação Pelo Semelhante, líder da campanha Homeopatia Direito de Todos e coordenador do Portal Ecomedicina.
COMENTÁRIOS (13)
ELIANA FRANTZ às 12:19h do dia 8/4/2010
Caro amigo, Hylton!
A Homeopatia tem provado que é uma alternativa de ajuda e cura a saúde, evitando os males dos remédios industrializados e criados para gerar dependência em seus pacientes, pelos grandes laboratórios.
No caso dos "Céticos Ingleses", acredito que estão como a avestruz: colocam a cabeça num buraco, para evitar de enxergar a realidade que vivemos.
A natureza está mostrando sua força contra o homem, através das catástrofes ambientais, devido ao desrespeito do homem, para com a mesma.
Há necessidade de uma visão maior. O Estudo e aplicabilidade da Ética, Bioética e Direitos Humanos, que foi salientado por você, no artigo acima.
Eu estudo Ética e Bioética voltada para o direito e à saúde, onde analiso as leis que irão ajudar ao homem a defender seus direitos junto ao Estado e aos grandes laboratórios.
Você explicou sabiamente os valores da Homeopatia.
Um grande abraço e muito obrigada.
Eliana
ANA MÁRCIA MESQUITA CAMPELLO às 10:21h do dia 16/3/2010
Hylton, é muito gratificante ler as suas reflexões expostas de modo tão completo e sensato. Todos nós homeopatas nos sentimos bem representados em suas palavras. Realmente a reportagem veiculada num jornal com características tendenciosas denigre a imagem da Homeopatia perante à população leiga e tão carente de recursos para avaliar como quer se tratar. E que ao ler essa reportagem vai acreditar nessa pesquisa feita sem os nossos critérios de individualização, fundamentais para que o tratamento seja efetivo. Vamos nos unificar e ajudar a nossa população a conhecer o que representa o tratamento homeopático, que único ou associado à alopatia sempre vai beneficiar o paciente. Saudações, Ana Márcia.
JOSÉ ARMANDO CHERMONT às 09:39h do dia 6/3/2010
Hylton. Apesar da clareza das suas idéias, considero que a “violência” da barreira que tentam levantar contra os tratamentos homeopáticos, ultrapassa o ceticismo. Veja, p. ex, a questão aqui no Brasil levantada por você no nosso ultimo encontro. A constituição assegura a todos nos, o direito de receber dos entes federativos, vale dizer, união, estado e município, toda e qualquer medicação prescrita por médico e necessária ao tratamento do paciente. Ao paciente deveria ser assegurado o direito de escolher o tratamento, homeopático ou alopático, opção que lhe é negada. Assim pela experiência de anos como advogado de ong’s que prestam assistência a portadores de doenças crônicas, proponho dar inicio a uma luta direcionada a obter dos entes federativos, a obrigação de oferecer em centros de saúde o tratamento homeopático. José Armando Chermont
MARISE CARDOSO LOMBA às 10:29h do dia 5/3/2010
Devemos sempre nos apresentar e representar ante estas críticas das quais somos alvos desde que nos "inventamos"! Unidos e munidos com nossas práticas, sempre argumentaremos melhor. Devemos compreender que tipo de interesse está por trás destes ataques e ao invés de respondê-los simplesmente, demonstremos nossos métodos, embasamentos e alcance terapêuticos através das comprovações diárias que nos respaldam.Valeu, Hylton! Vida longa à Homeopatia!
MARCO ANTÔNIO LACERDA MOURÃO às 22:52h do dia 26/2/2010
Parabéns ao colega Hylton pelo brilhante artigo. Como homeopata e também já tndo sido alopata, considero que vc foi muito feliz principalmente quando escreve que a homeopatia não dá conta de tudo. Por isso tanto alopatas como homeopatas e outros terapeutas devem ter o discernimento dos limites de suas terapias. Afinal como o grande Freud já mencionava em suas obras: " A completude não existe, o que existe é a vontade do Homem ser completo". eis uma bela fantasia. Continuemos na nossa luta para inserir definitivamente a especialidade médica em todos os asmbulatórios públicos. Saudações homeopáticas, Marco Mourão, Nova Friburgo-RJ. " Os cães ladram, a caravana passa" ........ e está passando com louvor!!
VERA LÄ BOSQUÊ às 21:31h do dia 26/2/2010
Acredito que o que é bom, verdadeiro não desaparece com propagandas contrárias. A homeopatia foi uma grande descoberta para a humanidade e permanecerá, assim como tudo que é bom. A nova era está aí para nos confirmar isso.
GERVÁSIO D' ARAUJO às 15:19h do dia 23/2/2010
Hylton,
Excelente o seu texto. Desculpem-nos o Houaiss e o Aurélio, mas o Caldas Aulete, por estas e por outras, é perfeito. Comento hoje sobre este "imbroglio" no dia seguinte à publicação da recomendação de British Parliament ao governo do UK. Interessante ressaltar que a notícia desta recomendação foi parar no Jornal Nacional da Globo no mesmo dia em que foi publicada lá. Havia gente da nossa imprensa de olho nisso. Neste caso, porque não houve já na noite de ontem, alguém desta mesma imprensa a entrevistar algum homeopata brasileiro sobre o assunto?
Gostei muito do comentário da Adriana e das duas frentes propostas por ela. É um caminho. Tenho acompanhado os trabalhos do Marcos Zulian. Impressionante a qualidade científica. Será que não basta? Será que ninguém viu? Será, enfim, que não é um baita problema nosso, interno, da Homeopatia brasileira de falta de união e estratégia? Aguardemos o desenrrolar dos fatos...
CARLOS ALBERTO FIOROT às 16:28h do dia 22/2/2010
Amigo Hylton,
parabéns por sempre estar atento a questões importantes. Esta foi mais uma atenção bastante pertinente, com vigilância constante.
Estou terminando um pequeno texto, que deverá sair na gazetinha. Se desejar, enviarei para você também, e se for o caso, deixar no SITE ECOMEDICINA, este espaço de democracia e luta permanente!
O meu grande abraço.
Carlos Alberto Fiorot.
MARCUS ZULIAN TEIXEIRA às 17:31h do dia 5/2/2010
A experimentação patogenética homeopática é um excelente método científico para validar os pressupostos homeopáticos, desde que os experimentadores estejam dispostos a observar, sem preconceitos, as alterações despertadas pelos medicamentos dinamizados.
Desenvolvemos essa proposta com os estudantes da Disciplina de Homeopatia da FMUSP há anos, dentro do mais rigoroso protocolo científico (placebo-controlado; doses únicas na 30cH; avaliação crítica dos sintomas etc.), comprovando sintomas de patogenesias prévias.
Essa experiência foi descrita no artigo "Brief Homeopathic Pathogenetic Experimentation: A Unique Educational Tool in Brazil", publicado no periódico Evidence-based Complementary and Alternative Medicine, podendo ser avaliado em:
http://ecam.oxfordjournals.org/cgi/reprint/6/3/407?ijkey=V1P04KKdznHcfvB&keytype=ref
No entanto, é preciso estar aberto à observação dos possíveis fenômenos, como manda o espírito científico.
Caso contrário, são "pérolas jogadas aos porcos”.
FRANCISCO ERATÓSTENES DA SILVA às 15:16h do dia 5/2/2010
Tomar uma maior quantidade de medicamentos homeopático por vez, e não provocar reações adversas, não significa a falta de eficiência da homeopatia, visto que o medicamento não tem doses ponderais. A falta de compreensão dos mecanismos de atuação íntima dos medicamentos homeopáticos não invalida os seus resultados. Esta é a mesma pretensão de um outro desafio com o prêmio de 1 milhão de dólares para quem comprovasse cientificamente os mecanismos de atuação da homeopatia. O desafio que faço é que provem que a Homeopatia não trata o homem enfermo. Acompanhem o tratamento de um caso clínico e premiem a sua cura.
ODIMARILES DANTAS às 22:29h do dia 4/2/2010
Como sempre Hilton, vejo você na vanguarda da luta pelos Direitos Dumanos e portanto pelo direito de livre escolha. eu sempre me pergunto quem são essas criaturas que se instituem no direito de criticar e difamar tudo o quanto ou o que resovlem não acreditar. Penso que não nos cabe o papel de alimentar o desejo doentio desse grupo. Basta mostrar como eles julgam toda a população que se beneficiou, se beneficia e continuará utilizando a Homeopatia. Achar que açucar e placebo produz os efeitos obtidos e os resultados são pura imaginação ou ilusão dos usuários é no mínimo instigante.
Somo todos nósmédicos homeopatas mágicos ou ilisionistas?
Mais uma vez Hilton Parabéns pela sua lucidez.
Odimariles
ADRIANA DE FREITAS VELLOSO às 20:11h do dia 4/2/2010
Caro Hylton,
Suas palavras além de sábias trazem perspectivas novas para o diálogo com a sociedade que a homeopatia precisa travar. Primeiramente a sugestão de devolução do problema - da falta de explicações racionais dentro do modelo científico dominante - para a comunidade científica. A questão que passa pelas limitações do fazer científico que domina os recursos para a pesquisa atualmente tem que se tornar um desafio para os novos pesquisadores que chegam a cena, sejam eles do campo da saúde das ciências sociais ou das exatas. A segunda frente seria a percepção de que unindo nosso discurso com os de todas as " anomalias" que se apresentam a "ciência normal" instigaremos mais eficientemente, não apenas os pesquisadores, mas todos que possam se expressar a favor de uma saúde mais democrática. Os jornais, os portais e o que mais pudermos desenvolver como ferramentas de divulgação serão grandes contribuições.
Abraços
Adriana
WALCYMAR LEONEL ESTRELA às 20:17h do dia 3/2/2010
Hylton
Parabens pelas sábias reflexoes. É necessário ler tudo com muita critica e saber em que contexto sao escritas as matérias que por aí circulam e circularão. Acredito que para cada indivíduo haja sempre uma interpretação segundo sua cosmovisao, sua forma de estar no mundo. è importante ouvir sempre os dois lados da moeda e ficar com a que lhe faz sentido,
Um abraço
walcymar