18 de maio de 2012 | 15:21h | Boa tarde     


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No início do ano passado (30/01/2010), com o propósito de endossar um movimento que propunha a suspensão do financiamento público para a prática homeopática no Reino Unido (Parlamento Britânico - Comitê de Ciência e Tecnologia), um grupo de céticos britânicos organizou uma manifestação midiática, na qual os seus integrantes experimentaram, em praça pública, frascos inteiros de medicamentos homeopáticos (escolhidos ao acaso), com o intuito de mostrar que eles não sentiriam quaisquer efeitos adversos, o que indicaria que os medicamentos homeopáticos são substâncias inócuas (placebo). Sem utilizar um modelo de acompanhamento dos experimentadores para uma possível avaliação dos resultados (metodologia científica), esse “teatro ao ar livre” foi reproduzido por outros grupos de céticos no Canadá e na Austrália. No último sábado (05/02/2011), essa manifestação foi repetida por céticos em diversos países, inclusive no Brasil. No artigo transcrito abaixo, Marcus Zulian Teixeira questiona os resultados apresentados pelos céticos (que alegam não terem sentido qualquer efeito nas referidas experimentações dos medicamentos homeopáticos), embasando sua conclusão nos resultados positivos de prática semelhante que realiza com estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) desde 2003.

Resultados da overdose maciça de remédios homeopáticos no Reino Unido: ceticismo ou preconceito?

(Tradução de “Results of mass overdose of homeopathic medicines in United Kingdom: scepticism or prejudice?”, publicado em 2010 no periódico “International Journal of High Dilution Research” em resposta à manifestação de 30/01/2010, semelhante a que ocorreu em 05/02/2011). [1]

Marcus Zulian Teixeira*

Como foram relatadas em diversas manchetes [2], em 30 de janeiro de 2010, às 10:23 horas, centenas de céticos tomaram uma overdose de remédios homeopáticos em frente às “Farmácias Boots” na Grã Bretanha (Birmingham, Bristol, Brighton, Edinburgh, Glasgow, Hampshire, Leeds, Leicester, Londres, Liverpool, Manchester, Oxford e Sheffield) para protestar contra a venda de remédios homeopáticos por essa rede, e também para provar que esses remédios não teriam nenhuma base científica. O mesmo foi realizado no Canadá e na Austrália.

Coordenados pela “Sociedade Merseyside de Céticos”, uma organização dedicada a “desenvolver e sustentar a comunidade cética”, os manifestantes engoliram o conteúdo de frascos inteiros de medicamentos homeopáticos para ilustrar sua idéia de que “são apenas glóbulos de açúcar”.


Baseados na suposição de que nenhum dos manifestantes apresentou quaisquer efeitos adversos depois deste “experimento maciço dos efeitos dos medicamentos homeopáticos”, concluíram que esses não têm atividade alguma no corpo humano, mas funcionam como placebo [3].

A experimentação de medicamentos (experimentação patogenética homeopática) é, de fato, um método excelente para comprovar os fundamentos homeopáticos, sempre que os experimentadores concordem em observar e registrar, sem preconceitos, as mudanças desencadeadas pelas substâncias preparadas segundo o método homeopático (diluídas e agitadas) em seus estados de saúde.

Por esse motivo, em relação ao episódio anteriormente relatado e seus supostos resultados, eu não posso deixar de questionar se tais “céticos” estariam, realmente, dispostos a mencionar qualquer mudança em seu estado de saúde observada depois da auto-experimentação.

Como o mais provável é que a resposta seja “não”, então proponho que ao invés de “céticos” sejam chamados de “preconceituosos”, porque lhes falta o verdadeiro “espírito científico”, ou seja, aquela postura que exige dos pesquisadores deixarem de lado as opiniões e idéias pessoais e preconcebidas quando se procuram respostas para as perguntas feitas na pesquisa.

Minha conclusão se baseia nos resultados obtidos no projeto “Experimentação patogenética homeopática como método didático”, que vem sendo realizado desde 2003 com estudantes da disciplina eletiva “Fundamentos da Homeopatia” [4] da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Trata-se de um protocolo científico (aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da FMUSP), onde são testados medicamentos homeopáticos na diluição 30cH – através de ensaios randomizados, placebos-controlados e duplos-cegos. Os estudantes de medicina experimentam esses medicamentos voluntariamente, observando os efeitos despertados pelos mesmos em seus estados de saúde. Com essa prática vivencial puderam ser confirmados vários sintomas descritos em experimentações patogenéticas prévias das mesmas substâncias, corroborando a premissa de que a “informação” contida nos medicamentos homeopáticos ultradiluídos pode produzir efeitos patogenéticos em seres humanos. Esse aspecto é um dos grandes obstáculos para que mentalidades que só admitem medidas quantitativas possam aceitar a homeopatia.

A experiência quali-quantitativa recém mencionada está descrita, em detalhes, no artigo “Experimentação patogenética homeopática breve: uma singular ferramenta educativa no Brasil”, publicado no periódico “Evidence-based Complementary and Alternative Medicine” (eCAM). [5]

No entanto, devo insistir que o requisito mínimo para que os fenômenos homeopáticos sejam constatados está na mente aberta dos observadores (como se posicionaram os estudantes de medicina da FMUSP), sem preconceitos, tanto na pesquisa quanto na terapêutica. Caso contrário, são “pérolas jogadas aos porcos”.


Referências

[1] Teixeira MZ. Results of mass overdose of homeopathic medicines in United Kingdom: scepticism or prejudice? [Letter to the Editor]. Int J High Dilution Res. 2010; 9(30): 3-4. Disponível em: http://www.feg.unesp.br/~ojs/index.php/ijhdr/article/view/374/412.

[2] Jones S. Homeopathy protesters to take 'mass overdose' outside Boots. Guardian.co.uk, London, 29 January 2010, Life & Style. Disponível em:http://www.guardian.co.uk/lifeandstyle/2010/jan/29/sceptics-homeopathy-mass-overdose-boots.

[3] Freeman H. Me and my homeopathic overdose. The Guardian, London, 3 February 2010. Disponível em: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2010/feb/03/homeopathy-overdose-hadley-freeman.

[4] Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Disciplina eletiva “Fundamentos da Homeopatia” (MCM0773). Disponível em: http://sistemas2.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=mcm0773&nomdis.

[5] Teixeira MZ. Brief homeopathic pathogenetic experimentation: a unique educational tool in Brazil. Evid Based Complement Alternat Med. 2009; 6(3): 407-414. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2722208/.

*Médico homeopata, PhD, professor e pesquisador da FMUSP,www.homeozulian.med.br.



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COMENTÁRIOS (9)

SILVANA LUCY BONANNO às 16:14h do dia 11/2/2011
Todos que conhecem e se tratam com a homeopatia, sabem o quanto ela é maravilhosa! infelizmente, não existe justiça, e sim muito preconceito, interesses de outros laboratórios alopáticos, que observam, aos poucos, muitos pacientes migrando para a homeopatia. Acredito que, de acordo com a nossa médica, que em casa nós a chamamos de "praticamente uma cientista", só conseguiram provar a eficácia da homeopatia, pela física quântica e olhe lá se conseguirem. Não dá para provar nada, é energia pura!, a única que cura as doenças da alma.
Até nossa cachorra (labradora) se trata com a homeopatia, e as reações que acontecem com ela são fantásticas, e ela não entende nada se é placebo ou não, certo? sem mencionar a família inteira, amigos, parentes que aderiram a esta medicina, que para mim não é alternativa, e sim a alopatia para mim o é. Não concordo com essa campanha desrespeitosa.


CESAR NOBRE PEREIRA às 15:33h do dia 11/2/2011
Caros colegas; a ignorância e a crítica infundada caminham de mãos dadas. Que essas manifestações sirvam para estimular o nosso estudo no intuito de fortalecer essa doutrina que tem ajudado a tantos.


MÁRIO FLÁVIO PEZENATTO DINIZ às 12:20h do dia 10/2/2011
Caros colegas homeopatas e não homeopatas, caros pacientes homeopatizados e não homeopatizados, vejamos essa "experimentação coletiva" por um ângulo diferente: pelo que se constatou nenhum dos experimentadores apresentou efeitos adversos. Ótimo. Ponto positivo para a Homeopatia. Pergunto: quem se disponibilizaria a fazer o mesmo experimento com remédios "alopáticos"? Agora um convite: leiamos Hahnemann, que logo no segundo parágrafo do Organon, nos ensina: "o ideal de cura é o restabelecimento rápido, SUAVE e duradouro da saúde, ou remoção e aniquilamento da doença, em toda a sua extensão, da maneira mais curta, mais segura e MENOS NOCIVA...", então...


CRISTIANE SILVA às 22:39h do dia 9/2/2011
Já que os remédios tomados pelos céticos foram escolhidos ao acaso, gostaria que eles tivessem escolhido Arsenicum Album e tomassem grandes doses... rs... piadinhas homeopaticas à parte, o ser humano ainda tem muito o que evoluir... o que existe de pessoas intransigentes e ignorantes é absurdo... se a pessoa não gosta de homeopatia, respeite quem gosta e usa... eu tinha longos 5 anos de tratamento a SII (sindrome do intestino irritavel) sem sucesso na alopatia... me encontrei totalmente na homeopatia: de uma pessoa jogada na cama sem perspectivas passei a uma pessoa ativa, que está trabalhando, namorando, enfim voltando a viver... se é parte placebo ou se é real, o importante é que dá resultado!


MARIA LOPES DE ANDRADE às 21:17h do dia 9/2/2011
"-A Homeopatia é a arte da Cura". Sou Homeopata Não Médica, pela Universidade Federal de Viçosa, formada na primeira turma do Curso de Homeopatia Metafísica no Rio de Janeiro- Brasil. Participei do CBO 2000 (Classificação Brasileira de Ocupações) , atualmente a profissão é Oficializada a partir de um trabalho constante nesta sentido, somos respeitados por ser a Homeopatia eficiente em suas aplicações. "-A Homeopatia é a arte da Cura".


MARCIO RIBEIRO LEITE às 10:45h do dia 9/2/2011
A Homeopatia é muito criticada e pouco compreendida. Há por trás desses "shows pirotécnicos", fortes interesses econômicos. Não é suspeito que grandes laboratórios patrocinem uma grande parte das pesquisas médicas?
Os homeopatas trabalham em trincheiras, sofrendo este tipo de humilhação. A humanidade precisa avançar em perspectiva, equilibrar energia e restaurar a saúde com uma frequência mental saudável. Se superar a oralidade mal resolvida, terá deixado para trás a necessidade de tomar remédios. Alopatia e Homeopatia têm papel a cumprir. Sou homeopata por convicção, alopata por constrangimento operacional. Além do mais, o que efetivamente cura é a intenção. Tenho visto restabelecimentos maravilhosos independente de técnica. Há doentes mais saudáveis do que muitos com exames normais. A humanidade necessita da Homeopatia como próximo degrau na ascenção consciencial. Por décadas precisaremos conviver, que seja pacíficamente. O propósito é o outro, não a técnica.




LUCI COSTA às 22:27h do dia 8/2/2011
Eu gostaria de saber como estão as pessoas que exibiram na mídia a tomada de frascos inteiros de medicamentos homeopáticos, e o que foi que elas tomaram. Penso que elas devriam ser acompanhadas por alguns meses, e depois o resultado ser divulgado na mesma mídia.


CARLOS ALBERTO FREIRE MEDEIROS às 17:54h do dia 8/2/2011
Excelente artigo. Tenho um filho de 3 anos que na última sexta-feira (04/02/2011) teve febre de 39 a 40 graus durante a noite inteira e se extendeu pelo dia do sábado. Na manhã do sábado ligamos para o Médico Homeopata, relatamos o caso e o mesmo receitou alguns medicamentos que foram manipulados e entregues às 14h. Começamos a administrar os remédios, mas minha esposa não estava disposta a passar mais uma noite em claro e pedimos que o médico fosse até a nossa casa. O médico chegou às 18h30 e encontrou o menino praticamente desfalecido na cama depois de 36h de febre. Após 1 hora administrando 3 remédios em gotas e 4 em glóbulos o médico foi embora de nossa casa com o menino correndo na sala, bem diferente daquele que mal se mexia na cama. Isso é que é "efeito placebo"!


DENISE SCOFANO DINIZ às 20:57h do dia 7/2/2011
Excelente a forma de argumentação de Marcus Zulian. Complemento com o pensamento da imunologista francesa, Madaleine Bastide, que se dedicou ao estudo das ultradiluições homeopáticas, quando propõe em um de seus artigos (1997) uma reflexão a partir do pensamento de Espinosa: “se considerarmos que não somos puramente matéria nem puramente espírito”, e que “o homem é uma parte da natureza da qual se aparta para poder medi-la”, caberá ao ser humano, "ante à constatação de um fenômeno para o qual não há ainda explicação, descobrir e inventar como medir".









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