Formado em Harvard, dono de um currículo com notas excelentes e residente em Psiquiatria. O que poderia haver de errado com uma pessoa com essa? Nada, se não fosse tudo uma farsa. Esta história, real, é uma das que o médico Carl Elliot, professor de Bioética e Filosofia na Universidade de Minnesota, conta no livro White Coat, Black Hat - Adventures on the Dark Side of Medicine – em português: Jaleco branco, chapéu preto: aventuras no lado negro da medicina.
Em entrevista recente ao jornal Folha de São Paulo ele afirma: “Construímos um sistema médico em que o ato de enganar não é apenas tolerado, mas recompensado.” O livro de Elliot se junta a uma série de obras que, nos últimos cinco anos, vem revelando que a indústria farmacêutica escapou de todo o controle e que tem influência sobre a formação, a pesquisa e os médicos.
Na entrevista ele aponta a transparência como uma forma de lidar com o problema. “Médicos podem aceitar todo o dinheiro que quiserem, desde que não escondam isso. Mas meu palpite é que isso vai normalizar a prática”, opina. Mas o médico completa: “transparência importa, mas não é a solução. Propina é propina, mesmo se é recebida a céu aberto. A solução é eliminar os pagamentos, tal como fizemos com os juízes, jornalistas e policiais”.
Para ele, eventos médicos podem ser feitos sem dinheiro da indústria. “Ensaios clínicos já são mais complicados. O problema é que a indústria tem controle total sobre as pesquisas. Ela enterra os resultados negativos a fim de tornar as drogas melhores do que são. Isso não é ciência, é marketing”, diz ao jornal.
Para Carl Elliot, há colaborações aceitáveis. “Mas se um médico é pago só para ler um conjunto de informações da indústria ou permitir que seu nome seja adicionado a um artigo escrito por fantasmas, esse tipo de pagamento tem que ser eliminado. Conversei com um representante de laboratório que construiu uma piscina para um médico só para levá-lo a prescrever mais receitas. Como alguém justifica isso?”, questiona na entrevista.
Para ler a entrevista, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/819411-industria-farmaceutica-tem-controle-total-sobre-pesquisas-diz-professor-de-bioetica.shtml ou http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74288
COMENTÁRIOS (5)
RAQUEL GOMES às 11:10h do dia 10/11/2010
Fica difícil acreditar no amanhã, presidente fala em aquecer a indústria, aumentar o poder de compra ... Mas não fale em combater a ignorância e infelizmente os mais covalescentes são cobaias pq entre um medicamento e outro esperam a cura ou na fonte da juventude adquirindo dorgas que não tem sua eficácia terapêutica comprovada.
ANA MÁRCIA MESQUITA CAMPELLO às 09:21h do dia 9/11/2010
Como médicos devemos ter muito cuidado com as pesquisas que nos são apresentadas pelos laboratórios. Senso crítico e ética visando o bem-estar e sáude do paciente é fundamental. Só saberemos exercer a crítica se tivermos conhecimento médico amplo, ou seja, não acreditar que só existe uma alternativa de tratamento. Estamos acompanhando os casos de infecções por bactérias multirresistentes pelo abuso de antimicrobianos, o excesso de prescrições de antidepressivos, a polifarmácia imperando no dia-a-dia dos nossos idosos. É um absurdo. Graças a Deus, podemos exercer a nossa Homeopatia legado de Hahnemann e de tantos médicos que contribuíram para que ela se consolidasse e que continuará existindo !
MARTA FERNANDES DE ANDRADE às 22:25h do dia 8/11/2010
A situação é muito séria, porém não devemos generalizar. Por trás dos balcões de farmácias existem farmacêuticos que deveriam ser consultados. Por conta do imediatismo muitas vezes esquecem que existe um profissional responsável ali. Alguém que tenha uma farmácia não necessariamente desacredita a homeopatia e outras terapias alternativas, poderia ser um negócio em prol da saúde se os laboratórios também assim o desejassem. O que importa é o bem estar, não podemos descartar uma medicina séria, devemos ter a liberdade de procurar o melhor tratamento, conhecer os riscos e os benefícios de cada um. Faltam iniciativas que realmente democratizem o acesso ao conhecimento, à ciência e à saúde em benefício do ser humano na sua integralidade.
DENISE DOS SANTOS MIRANDA às 17:02h do dia 8/11/2010
Não são só os médicos, as farmácias também, muito disfarçadamente, recebem suas propinas. É por isso que eles, o tempo todo, tentam desqualificar a homeopatia e as terapias naturais. Dá nojo!!!!!!!!!!
LUCI COSTA às 11:11h do dia 8/11/2010
Isso deve ser amplamente divulgado, e atacado, ainda que usando as "mesmas armas", ou seja, "pagar o médico para ele não prescrever se não acreditar no medicamento". Infelizmente, os bons só usam a lei, mas a lei se vende aos maus. E infelizmente também, daqui para frente cada vez mais médicos serão corruptíveis, graças ao marketing "a qualquer preço", e à ganância do médico para competir com o Criador.