
A história da homeopatia no Brasil teve os seus capítulos iniciais quando o médico francês Benoit Jules Mure (1809 -1858) desembarcou no país, com os ensinamentos de Samuel Hahnemman na bagagem. Mure aportou em terras brasileiras depois de uma peregrinação pela Europa divulgando os princípios da então nova arte médica. Palermo, Paris, Cairo e Malta estiveram em seu roteiro de propaganda homeopática.
Quando desembarcou no Rio de Janeiro, a bordo da barca francesa Eole, em novembro de 1840, Mure estava com 31 anos e repleto de projetos visionários. Filho de um rico burguês de Lyon,formou-se em medicina em Montpellier (um reduto da medicina vitalista) e recuperava-se de uma tuberculose pulmonar – doença comum na época.
O propósito inicial da vinda de Mure ao Brasil era a fundação de uma colônia societária, em Santa Catarina, com a ajuda de cem famílias trazidas de Paris. O médico,representante oficial da Union Industrielle de Paris, e os colonos franceses foram apresentados ao Imperador em 1841. Com a aprovação de D. Pedro II, no ano seguinte, a colônia do Sahy é fundada. Na região, Mure instala a Escola Suplementar de Medicina e o Instituto Homeopático do Sahy - fundando um dispensário de medicamentos, um centro de ensino com ambulatório e uma comissão de correspondência e redação. Apesar dos esforços, a colônia não vingou.
Benoit Jules Mure continua o trabalho em prol da homeopatia, fazendo palestras e buscando uma medicina social mais ativa. Seu objetivo era conseguir um parecer favorável da academia médica para a então nova escola médica. Contrário a exclusão e defensor da saúde pública, o médico francês incorporou a seu projeto de expansão da homeopatia o tratamento dos escravos e dos excluídos do Brasil imperial.