| 18 de maio de 2012 | 15:11h | Boa tarde |

Política Estadual de Práticas Integrativas legitima a Homeopatia em Vitória
Em vigor desde 2008, a Política de Práticas Integrativas do Espírito Santo é uma conquista que abriu caminho para outras. Foi a política que legitimou, por exemplo, a oferta de tratamento homeopático integral em Vitória e o estudo do uso da Homeopatia na prevenção e no tratamento da dengue, realizado também na capital. É sobre estas conquistas que a coordenadora de Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado de Saúde, Ana Rita Vieira de Novaes, fala nesta entrevista. Confira!
Ecomedicina: Fale um pouco sobre a Política Estadual de Práticas Integrativas do Espírito Santo. Como foi a concepção e o desenvolvimento?
Ana Rita Vieira de Novaes: A política estadual, na verdade, foi uma solicitação em função de um momento político importante na Secretaria de estado. Havíamos sido convidados para fazer um projeto de residência medica em Homeopatia. Fizemos, mas quando o projeto foi levado à Subsecretaria surgiu a questão: como fazer um projeto de residência se não temos Homeopatia? Achamos isso coerente e formamos, então, um grupo técnico formado por um grupo base e por médicos e técnicos que eram convidados a participar. Durante três semanas nos reunimos todos os dias e a elaboração foi rápida porque o projeto de residência dependia disso.
Elaboramos a política nos eixos da política nacional porque entendemos que ela é bem completa e que poderia se adequar às nossas especificidades com a elaboração de algumas diretrizes. A partir da política começamos a desenvolver um trabalho prático. Não tenho dúvida de que a política, desde que foi criada em 2008, deu mais legitimidade a nosso trabalho. Hoje, mesmo que ainda seja difícil, podemos argumentar, podemos subsidiar algumas ações. Uma destas ações foi um curso de especialização. Só conseguimos formatar o curso por causa da política. Também por causa dela conseguimos, no ano passado, levar Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia para aldeias indígenas.
Ecomedicina: Especificamente sobre o tratamento homeopático integral, como foi sua implementação?
Ana Rita Vieira de Novaes: O tratamento homeopático integral é oferecido na capital, Vitória. O município fez um concurso público que incluiu Homeopatia e Acupuntura, eu fui uma das aprovadas e quando fui chamada acabei contribuindo para a implantação. Desde que comecei a trabalhar em Vitória tenho feito reuniões e palestras nas unidades de Saúde porque percebemos que as pessoas estavam desinformadas, não sabiam que havia oferta do tratamento homeopático ou sabiam, mas desconheciam como funcionava, para que servia. Quando elas tinham informação e procuravam, a falta de medicamento fazia com que não voltassem. O secretário de Saúde fez, então, um convênio para fornecimento de medicamentos homeopáticos e desde fevereiro temos o tratamento integral. Esperamos que, a partir de agora, com este link, a procura aumente.
Ecomedicina: Em relação à dengue, de que forma a Homeopatia tem sido utilizada em Vitória?
Ana Rita Vieira de Novaes: Quando começamos a discutir a dengue, entendemos que simplesmente fazer uma intervenção seria complicado. Precisávamos de uma estratégia porque sem dados não teríamos como avançar. Criamos um protocolo de pesquisa e começamos um estudo, que ainda está em andamento, para poder mostrar, em números, a consistência das ações propostas. Conseguimos envolver a Secretaria estadual, que garantiu os kits de diagnostico por meio do NS1, e a Secretaria municipal, que colocou seis médicos à disposição da pesquisa. Supomos que, assim, teremos meios para implantar de forma mais robusta.
Tanto no tratamento integral quando no caso da dengue, foi fundamental a existência da Política Estadual de Práticas Integrativas. Diferente de chegarmos com ações isoladas, com a política ganhamos um novo rumo. A política inclui, inclusive, a realização de estudos para avaliação e eficácia dos serviços. Isso dá consistência e respeito a nosso trabalho.
Ecomedicina: Em sua opinião, quais são os aspectos favoráveis e os aspectos que atuam como limitadores à implementação da Homeopatia nos serviços de Saúde Pública?
Em termos população, não vejo outro problema além da desinformação, mas isso muda à medida que as pessoas passam a conhecer melhor as práticas. A questão é fazer chegar até elas estas informações e também acabar com o preconceito que a classe médica ainda tem. Estamos trabalhando muito para mudar isso, mas para mudar necessitamos de um profissional dedicado a isso e que tenha a oportunidade de ir até às unidades de Saúde para mostrar e também ouvir. O que favorece é justamente ter uma política, uma coordenação e um grupo que realmente se dedique a isso. É bem claro que a política avançou onde há um grupo, onde existem pessoas se dedicando a isso.