| 18 de maio de 2012 | 15:06h | Boa tarde |

Representantes da Medicina Homeopática brasileira colocaram um ponto final na polêmica em torno da morte de um bebê australiano tratado com Homeopatia, cujos pais foram presos esta semana. Thomas e Manju Sam deixaram Gloria, de 9 meses e meio, morrer de septicemia e desnutrição, consequências de um caso grave de eczema. O casal foi condenado por homicídio culposo e preso em Sidney, na Austrália, porque se recusou a buscar ajuda médica durante os quatro meses e meio em que a criança esteve doente. Em vez disso, preferiram tratá-la exclusivamente com Homeopatia.
O presidente da Associação Paulista de Homeopatia (APH), Rubens Dolci Filho, classificou o caso como “negligência dos pais”. “O problema não foi o tratamento homeopático. A criança tinha ganho apenas dois quilos desde que nasceu. Estava desnutrida e chegou a um estado terminal. Eles viram que o tratamento não estava surtindo efeito e não tomaram providência”, comentou Rubens.
Thomas Sam, de 42 anos, é homeopata e tratou a filha sozinho, até que ela desenvolveu uma úlcera no olho esquerdo e foi levada a um hospital, dois dias antes de morrer. Quando morreu, Gloria pesava apenas dois quilos a mais do que ao nascer e seu cabelo, que era preto, havia se tornado branco. Sua pele estava tomada de feridas e ela sofria de uma infecção.
Rubens também lembrou o fato de a imprensa australiana não informar se Thomas era médico. “Os jornais da Austrália informam que o pai da criança é um homeopata, não um médico homeopata. Em alguns países, como nos Estados Unidos, a Homeopatia é feita por não médicos”, observou o presidente da APH, que não soube dizer se na Austrália é exigido diploma médico dos homeopatas.
No Brasil, a Homeopatia é uma especialidade médica. Só um médico pode prescrever remédios e tratamentos homeopáticos, lembrou Rubens, para tranquilizar quem se trata ou pretende se tratar com Homeopatia. “Por força da lei, do Código de Ética Médica, é obrigatório usar todos os recursos disponíveis para tratar o paciente. Em um caso como o do bebê australiano, o médico tem que adotar outros métodos terapêuticos. Foram vários erros éticos”, explicou Rubens.
O presidente da ONG Homeopatia Ação pelo Semelhante, Hylton Luz, também comentou o caso e a forma como a Homeopatia é praticada no Brasil. “Precisamos destacar que no Brasil a Homeopatia é uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina há quase 30 anos ( Resolução CFM 1000/80 de 1980), que a Associação Médica Homeopática Brasileira regula a emissão de títulos de especialistas por meio da exigência de formação em cursos credenciados, com carga horária de 1.200 horas, que o Ministério da Saúde publicou a Portaria 971 em 03/05/2006, incluindo a Homeopatia, a Acupuntura e a Fitoterapia no SUS, e que tal iniciativa decorre do encaminhamento de orientação da Organização Mundial de Saúde vigente deste 1978”, esclareceu Hylton.
O número de médicos homeopatas no Brasil é centenas de vezes maior que na Austrália e o número de usuários também, acrescentou Hylton. Aqui a Homeopatia é exercida como prática de saúde acessível à população há mais de 150 anos. Em todo o país, nunca houve registro de caso similar. “Concluímos que o caso em pauta é um evento que não se relaciona com o exercício da Homeopatia, muito menos com as posturas e condutas que seus profissionais adotam. O resultado fatal decorreu exclusivamente das decisões tomadas pelos pais da criança, que independente de conhecerem ou aplicarem a Homeopatia, falharam no bom senso, em critérios mínimos de avaliação leiga do estado de bem-estar do próprio filho”, concluiu o médico.